Clima15 de Setembro de 2026·Notícias Agrícolas

Excesso de chuva encharca solos no Sul, enquanto seca ameaça produtores em outras áreas do país

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As fortes chuvas dos últimos dias já provocam impactos diferentes sobre a umidade do solo nas principais regiões produtoras do país. Enquanto os volumes elevados deixaram áreas do Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste com o solo próximo da capacidade máxima de armazenamento de água, outras regiões continuam esperando uma reposição mais consistente antes do avanço da temporada de plantio.

Segundo a meteorologista Amanda Balbino, da Ampere Consultoria, o mapa atual de armazenamento de água no solo mostra claramente os efeitos dos temporais registrados no fim de semana.

A situação é mais crítica em áreas que vêm recebendo chuva de forma frequente nos últimos dias. Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, sul de Mato Grosso do Sul, São Paulo e sul de Minas Gerais aparecem com o solo em níveis elevados de armazenamento.

Amanda explica que, nessas regiões, a quantidade de chuva já foi suficiente para levar o solo próximo da capacidade máxima.

“Essas áreas já tem um solo mais saturado, devido a toda essa condição de chuva que vem sendo persistente nos últimos dias nessas áreas.”

Além disso, a continuidade das chuvas mantém a atenção para novos episódios de temporais. A previsão do INMET indica que a umidade elevada deve continuar favorecendo condições instáveis em algumas áreas durante o fim de semana e também na segunda-feira (14).

Mato Grosso, Goiás e Matopiba ainda precisam de chuva mais regular

O cenário é diferente nas áreas mais centrais do país. Em Mato Grosso, Goiás e no Matopiba, a chuva continua ocorrendo de maneira irregular e, em muitas localidades, ainda não foi suficiente para recompor de forma ampla a água disponível no solo.

“O solo ainda, essa condição não foi suficiente para trazer uma reposição consistente da umidade do solo”, explica Amanda.

Segundo a meteorologista, algumas áreas já apresentam uma recuperação gradual, mas o avanço ainda é limitado. Isso aumenta a necessidade de cautela para o planejamento do início da safra de soja.

“Em algumas áreas está tendo esse retorno gradual da umidade do solo, mas ainda não é suficiente, ainda não é abrangente para o estabelecimento, por exemplo, agora da safra de soja.”

O problema é agravado pelo calor. Com temperaturas acima de 30°C e registros próximos ou superiores a 40°C em algumas áreas, a água disponível no solo tende a ser perdida mais rapidamente.

“A demanda atmosférica é bastante elevada, justamente porque as temperaturas estão acima de 30, tem algumas regiões acima de 40 graus Celsius nessas áreas centrais, então isso acaba acelerando a perda de umidade do solo.”

Chuva precisa ganhar regularidade para recuperar o solo

A combinação entre calor intenso e chuvas irregulares faz com que pancadas isoladas tenham pouco efeito sobre a recuperação da umidade em grandes áreas agrícolas. Para melhorar as condições de plantio, não basta apenas chover: é necessário que os volumes sejam mais consistentes e que a chuva se distribua melhor pelas regiões produtoras.

“Precisa de uma consistência, de volumes bem elevados nessas regiões para manter um solo mais úmido.”

O diagnóstico reforça o contraste entre as áreas produtoras neste momento. No Sul e em partes do Sudeste, o desafio é lidar com o excesso de água depois de uma sequência de chuvas fortes. Já em Mato Grosso, Goiás e Matopiba, a preocupação continua sendo a chegada de uma estação chuvosa mais regular, capaz de garantir condições melhores para o estabelecimento das lavouras.

Previsão mantém cenário de chuva em áreas já muito úmidas 
A previsão para os próximos dias indica que a chuva ainda deve aparecer em áreas que já receberam volumes elevados recentemente. Sul e Sudeste seguem com instabilidade, enquanto o Mato Grosso do Sul também pode registrar novas pancadas. 

Com isso, produtores de áreas que já estão com o solo muito úmido devem acompanhar a previsão antes de programar a entrada de máquinas no campo. Já em Mato Grosso, Goiás e Matopiba, a irregularidade das chuvas continua sendo um ponto de atenção, principalmente para quem depende da reposição de água no solo para avançar com o plantio da soja.

A previsão climática do INMET para setembro também indica chuva acima da média em partes do Centro-Oeste, Sudeste e Sul, mas com diferenças importantes entre as regiões.
 

Fonte original:Notícias Agrícolas
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