Clima20 de Julho de 2026·Notícias Agrícolas

Chuva intensa sobre solo encharcado eleva alerta para produtores no Sul do Brasil

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A atuação de uma frente fria associada a uma área de baixa pressão mantém o Sul do Brasil em estado de atenção nesta semana. O maior risco está concentrado no Rio Grande do Sul, onde a previsão indica acumulados expressivos justamente sobre áreas que já apresentam elevados índices de umidade no solo, aumentando a preocupação com alagamentos, encharcamento de lavouras e dificuldades para as atividades no campo.

Segundo a engenheira agrônoma e CEO da Agrymet, Bárbara Sentelhas, o problema não está apenas no volume previsto de chuva, mas nas condições atuais do solo.

"A nossa preocupação não é só o volume excessivo de chuva. É esse volume sobre um solo que já está com muita umidade, ou seja, que não tem mais espaço para armazenar água. Tudo o que entra agora vira excedente. Não é armazenado, vira excedente", explica.

Solo já saturado amplia risco para as lavouras

Dados analisados pela Agrymet mostram que grande parte do Rio Grande do Sul apresenta mais de 80% da capacidade de armazenamento de água no solo já ocupada.

De acordo com Bárbara, esse cenário torna qualquer nova precipitação um fator de risco para a agricultura.

"Boa parte do estado tem mais de 80% do solo com água disponível para as culturas. Os poros daquele solo já estão preenchidos. Isso é o que causa os encharcamentos e os problemas nas lavouras."

A especialista destaca que a situação é bastante diferente daquela observada em estados do Centro-Oeste, onde o solo apresenta maior capacidade de absorção.

"Uma chuva de 300 milímetros no Mato Grosso teria um comportamento completamente diferente. Lá o armazenamento do solo é menor e boa parte dessa água seria absorvida, podendo até beneficiar as culturas. No Rio Grande do Sul, esse mesmo volume representa um cenário de alerta."

Região central do Rio Grande do Sul concentra os maiores volumes

Os modelos meteorológicos indicam que os maiores acumulados devem ocorrer até os próximos seis dias, especialmente entre a região central, noroeste e áreas próximas à capital gaúcha.

Segundo Bárbara, algumas localidades podem registrar até 200 milímetros de chuva, principalmente em áreas próximas aos principais rios do estado.

Nas regiões do extremo Sul, Oeste e Norte gaúcho, apesar da ocorrência frequente de chuva, os volumes tendem a ficar entre 30 e 40 milímetros, reduzindo o nível de preocupação em relação ao restante do estado.

Santa Catarina e Paraná também terão chuva, mas sem o mesmo potencial

Com o avanço gradual da frente fria ao longo da semana, as instabilidades chegam a Santa Catarina e ao sudoeste do Paraná. Entretanto, a expectativa é de chuva menos intensa.

Os modelos apontam acumulados entre 70 e 80 milímetros no Oeste catarinense e no sudoeste paranaense. No restante do Paraná, os volumes devem variar entre 30 e 50 milímetros ao longo da semana.

Apesar disso, Bárbara alerta que o calor ainda presente pode favorecer a formação de temporais isolados.

"Quando essa chuva chega a Santa Catarina e ao Paraná, ela já perde intensidade. Isso não significa que vai manter o mesmo potencial de alerta observado no Rio Grande do Sul. Mas o fato de as temperaturas ainda estarem elevadas favorece a formação de temporais, principalmente na região centro-sul do Paraná."

Frente fria derruba temperaturas no Sul

Além da chuva, a passagem da frente fria provoca uma queda expressiva nas temperaturas.

No Rio Grande do Sul, as máximas passam a variar entre 14°C e 18°C, enquanto em Santa Catarina e no sul do Paraná os termômetros devem marcar entre 14°C e 20°C, com alguns pontos chegando aos 22°C.

Segundo Bárbara, a queda é consequência direta da nebulosidade e da massa de ar polar que acompanha o sistema.

"Como temos bastante nebulosidade e previsão de chuva, é natural que as temperaturas caiam. A frente fria vem acompanhada de uma massa de ar polar que reduz as máximas de forma bastante significativa."

Nos dias seguintes, o ar frio avança sobre Santa Catarina e Paraná, mantendo temperaturas amenas antes de perder força gradualmente no fim da semana.

Sem risco significativo de geadas

Apesar da chegada do ar mais frio, a especialista destaca que as condições ainda não favorecem a formação de geadas.

"As temperaturas realmente caem bastante, mas para ocorrer geada é necessário frio e céu limpo. Nos próximos dias teremos muita nebulosidade e chuva. Pode haver algum registro muito localizado em áreas de baixada, mas não é uma preocupação neste momento."

A tendência é que, a partir da sexta-feira, a massa de ar frio enfraqueça e as temperaturas voltem a subir gradualmente em toda a Região Sul.

Fonte original:Notícias Agrícolas
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